E tudo vai passando… Passando, nos levando, nos deixando e arracando de nós quem somos. Pra ser nós mesmos é preciso tempo, é preciso perder nossos pensamentos e ganhar outros sentimentos. E mesmo sem sentimentos a gente segue, sem nada por dentro ou sem nada por fora. Porque sempre vai faltar, sempre vai passar e levar, deixando em nós um espaço vago para coisas novas. Mas a nova talvez não tenha o mesmo tamanho que a velha e ainda assim sobra vazio. Então vem algo grande, que preenche o vazio que restava e esmaga todo resto que estava no lugar.
Porque nos doi faltar e nos doi sobrar também, é como não ter braços para carregar tanta alegria ou tanta tristeza, então o grande é tão grande que nos destroi com o seu peso e vai embora, já que não cabe em nós.
É como ver tudo passar e você procurando o encaixe perfeito, a peça certa, mesmo sabendo que o perfeito não existe e até mesmo a peça certa. Porque procurar não tem o gosto doce, tem gosto de vazio, de querer achar a qualquer custo, ou a qualquer gosto, que diga. E viver não tem gosto, enquanto vivemos, descobrimos isso. Viver doi e cura, e cura e doi. É difícil seguir as ondas do mar, pois não há o que seguir, não há trilhas, nem mapa, nem migalhas como em João e Maria, só existe seguir o coração… Que nada, vamos botar o pé no chão, não há como seguir o coração, porque o coração está em nós e ele até tenta fugir do corpo e bater por ai, mas a gente segura, aperta, cola, costura, remenda e o danado mesmo costurado quer bater em outras portas, ou melhor, em outros corpos, teimoso que só. Mas não cansa, vai andando, uma hora a gente chega a algum lugar, a algum espaço, a algum coração e se costura por la mesmo e fica e solta e procura de novo.
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